NOVAS APOSTAS

Coletânea contendo obras menos vistas de grandes coleções particulares paulistas.

Nesta sala especial, além das esculturas de Artur Lescher, reúnem-se obras de artistas variados, pertencentes a importantes coleções particulares do país. A simples presença de um nome consagrado como Nelson Leirner – além dos de Jorge Guinle, Dudi Maia Rosa, Daniel Senise e Emanuel Nassar, entre outros – nos impede de dizer que sejam artistas em processo de afirmação. Todos, a esta altura, já encontraram seus caminhos e estão reconhecidos. Mas foram os próprios colecionadores quem sugeriram apresentar essa parte menos vista de seus acervos.

NELSON LEIRNER

Poderiam estar aqui obras de Tarsila, de Segall, de Volpi, de Rego Monteiro, de Pancetti, Guignard, Sérgio Camargo, Maria Martins e de tantos outros mestres. Todos os monstros sagrados integram as coleções. Mas optou-se por mostrar que não é só com aquisições seguras e blueships que se faz um conjunto representativo e verdadeiro. Faz-se também com a vontade e a coragem de descobrir e tentar novas apostas – não no sentido apenas mercadológico, mas também artístico-qualitativo. Quando foram adquiridas, algumas das obras desta sala eram isto: apostas. A convicção dos compradores foi de que valia a pena correr o risco. E, neste caso específico, todas as apostas acabaram sendo vencedoras – em ambos os sentidos.

JORGE GUINLE

Convém observar que não há nenhuma linha condutora, nenhum monolitismo nas escolhas, como se um tipo de linguagem fosse a priori melhor do que outro. Convivem neste conjunto arte figurativa e abstrata, engajamento, ironia amarga (como em Leirner) e requinte, internacionalidade e busca da raiz brasileira, até popular; enfim lirismo, alta expressividade, equilíbrio e construção. O que une todas as obras é, primeiro, a superfície bidimensional, o fato de que se destinam à parede, com predominância da pintura. Segundo, a competência e acerto de cada uma em relação a seu próprio tipo de proposta. Linguagens diferentes exigem acertos diferentes.

Somando-se a eles, Artur Lescher se torna, merecidamente, uma espécie de convidado especial. Único escultor do grupo, Lescher, aos 44 anos, não é só um dos expoentes da nova escultura brasileira. Pela clareza e justeza de seu trabalho está a caminho de se tornar, rapidamente, um clássico. É outra aposta mais que vencedora.

Olívio Tavares de Araújo

DUDI MAIA ROSA

ARTUR LESCHER

EMANUEL NASSAR

DANIEL SENISE

PAULO WHITAKER